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Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: justiça para quem sustenta as cadeias produtivas

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O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, é mais do que uma data simbólica. É um convite à reflexão sobre as desigualdades que persistem e sobre a urgência de reconhecer o protagonismo das mulheres negras na construção das economias, na produção de alimentos e no fortalecimento das cadeias produtivas.

No meio rural, esse protagonismo é evidente. As mulheres negras assalariadas rurais estão presentes em diferentes etapas da produção agrícola, contribuindo diariamente para que alimentos e matérias-primas cheguem às mesas, às indústrias e aos mercados. Seu trabalho movimenta setores estratégicos da economia e garante o funcionamento de cadeias produtivas essenciais para o desenvolvimento do país.

Apesar dessa contribuição, a realidade ainda é marcada por profundas desigualdades. O racismo estrutural e a discriminação de gênero se refletem em menores oportunidades, desigualdade salarial, condições de trabalho mais precárias e dificuldades de acesso à qualificação profissional, à proteção social e aos espaços de decisão. Muitas vezes, essas trabalhadoras permanecem invisíveis nas estatísticas, nas políticas públicas e até mesmo nas estratégias de sustentabilidade das empresas.

Quando se fala em cadeias produtivas responsáveis, é preciso compreender que sustentabilidade não se resume à preservação ambiental ou à eficiência econômica. Ela também exige responsabilidade social, respeito aos direitos humanos e valorização do trabalho. Isso significa garantir condições dignas de emprego, igualdade de remuneração, ambientes livres de discriminação e assédio, além do reconhecimento das especificidades enfrentadas pelas mulheres negras no mundo do trabalho.

As empresas, os governos e toda a sociedade têm um papel fundamental nesse processo. Políticas de inclusão, combate ao racismo, promoção da equidade de gênero, fiscalização das condições de trabalho e fortalecimento das negociações coletivas são instrumentos indispensáveis para transformar a realidade das trabalhadoras assalariadas rurais. Da mesma forma, iniciativas de devida diligência em direitos humanos e de rastreabilidade das cadeias produtivas precisam incorporar indicadores que evidenciem a situação das mulheres negras e orientem ações concretas para reduzir desigualdades.

Celebrar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é reconhecer que justiça social e desenvolvimento caminham juntos. Não há cadeias produtivas verdadeiramente sustentáveis enquanto persistirem a exclusão, a discriminação e a invisibilidade de quem sustenta grande parte da produção agrícola.

Valorizar as mulheres negras assalariadas rurais é fortalecer o campo, promover a segurança alimentar, impulsionar a economia e construir um modelo de desenvolvimento baseado na dignidade, na equidade e no respeito aos direitos humanos. Mais do que homenagens, esta data exige compromisso. Um compromisso coletivo para que o reconhecimento de sua contribuição seja acompanhado da garantia de direitos, oportunidades e condições de trabalho justas, transformando a realidade das cadeias produtivas e da sociedade como um todo.


Texto: Secretaria de Gênero e Geração da CONTAR

Fotos: Banco de Imagens da CONTAR


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