O Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural, celebrado em 25 de maio, possui grande relevância na história do país por representar um marco de reconhecimento da importância social e econômica do trabalho no campo. Mais do que uma data comemorativa, é um momento de reafirmação da luta por direitos e de visibilidade às demandas dos assalariados e das assalariadas rurais.
Quando falamos em produção de alimentos e na grandeza do agronegócio brasileiro, a primeira imagem que vem à mente é a do produtor, do fazendeiro ou do agricultor familiar. No entanto, existe uma engrenagem humana fundamental que faz a roda do campo girar e que muitas vezes permanece invisível: os trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais.
Celebrar o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural exige olhar para além daquele que detém a propriedade da terra. É focar em quem dedica sua força de trabalho e tempo para garantir a produção agrícola para o abastecimento interno e externo. O assalariado (a) rural é toda pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário. São milhões de homens e mulheres que estão presentes em atividades como o preparo do solo, o plantio, a colheita, o cuidado com o gado e a operação de máquinas. Esses trabalhadores (as) são representados sindicalmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais, a CONTAR.

Historicamente, os trabalhadores (as) rurais precisaram mobilizar-se para conquistar e garantir direitos trabalhistas básicos que já eram assegurados a parte das categorias urbanas. Embora avanços legislativos tenham ocorrido ao longo do tempo, foi somente com a Constituição Federal de 1988 que se consolidou e ampliou, em âmbito constitucional, a equiparação de direitos entre trabalhadores (as) urbanos e rurais.
Apesar dessa grande conquista legal, na prática, a realidade de muitos assalariados (as) rurais ainda é marcada por desafios alarmantes. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que a informalidade no campo atinge 60% dos trabalhadores (as), chegando a 80% na Bahia, Ceará, Piauí, Maranhão e Pará. Os assalariados (as) rurais ainda constituem 80% dos trabalhadores (as) resgatados do trabalho análogo ao de escravo.
Para que o Dia do Trabalhador (a) Rural possa ser efetivamente celebrado, é necessário o compromisso conjunto de toda a sociedade com a promoção do trabalho digno no campo. Esse compromisso passa pelo enfrentamento da informalidade, pela erradicação do trabalho análogo à escravidão e do trabalho infantil, pela garantia de acesso às políticas públicas e às condições adequadas de saúde e segurança no trabalho rural, bem como pela promoção da liberdade de associação e da negociação coletiva, entre outras medidas essenciais.
O trabalhador (a) assalariado rural é a força motriz que transforma a terra em riqueza e alimento. No dia de hoje, mais do que postar mensagens, é preciso reconhecer a grande importância desses profissionais e apoiar a luta contínua por um campo mais justo, com trabalho decente, jornadas dignas, políticas públicas e respeito para todos/as.

Nesse sentido, no dia 26 de maio a CONTAR lança a 2ª Edição da Agenda Legislativa dos Assalariados e Assalariadas Rurais do Brasil. A agenda legislativa da CONTAR reúne os principais projetos de leis de interesse dos trabalhadores assalariados (as) rurais, reafirmando o compromisso com a categoria e o fortalecimento da luta sindical.
Nesta edição de 2026, os 19 projetos priorizados decorrem de um processo contínuo de escuta ativa dos trabalhadores (as) assalariados rurais em todo o país, construído a partir de assembleias, negociações coletivas, trabalho de base e mecanismos de apoio em direitos humanos. A priorização dessas proposições busca fortalecer a incidência política sobre o processo legislativo, contribuindo para orientar e sensibilizar parlamentares em suas tomadas de decisão.
A verdadeira riqueza da terra não está apenas na colheita, mas nas mãos e na vida de quem a cultiva. Valorizar os trabalhadores assalariados e assalariadas rurais é condição essencial para construir um campo mais justo e um Brasil que reconheça, proteja e valorize quem move o mundo!
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